Podem falar que hoje em dia se beija qualquer um, que não se valoriza o beijo como antigamente mas existem beijos e .... beijos.
Vejo você se aproximando, olho no olho, tento desvendar, ler e entender. Escuto seus pensamentos, posso ver através. Passo a mão lentamente no seu rosto enquanto nossos olhares continuam fixos, com a ponta dos dedos toco seus lábios, desenho e contorno. Sensações se misturam: totalidade, satisfação e perfeição. Fecho os olhos, a percepção aumenta. Sinto você respirando com delicadeza, os lábios se atraem. Sem pressa faço o contorno dos seus lábios, agora com a língua. Num ato sutil, seguro seu lábio inferior entre os meus como se quisesse transformar o que é seu em meu. Sua boca abre lentamente e a saliva se mistura, as línguas se procuram e se encontram. Uma dança se inicia, o gosto, a textura e os movimentos fazem a diferença, a identidade e o prazer. Não escuto mais nada, sinto um frio na barriga, vontade de não parar, de querer mais, de não te largar. Minha mão desliza pelo seu pescoço alcançando sua nuca, sinto seus cabelos por entre meus dedos. Com a outra mão, trago você para mais perto, agora sinto seu corpo inteiro em contato com o meu. A velocidade da dança diminui fazendo com que nossos olhos se abram, o movimento dos lábios cessam porém não se afastam. No semblante, a expressão de ser atropelado por um turbilhão de emoções, mas era apenas seu beijo. (536)
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