Olho para os lados e não vejo ninguém. Pelo menos ninguém que se pareça comigo. O ambiente é outro, um ar agressivo, capitalista e fútil paira entre nós. Talvez você não consiga enxergar a diferença entre os dois mundos relativamente parecidos, mas existe um abismo entre eles.
Por enquanto tudo tranqüilo, ainda não precisei deles. 610525, esse sou eu, um número. Meu nome? Meus valores? Não. Qual seu cargo e pra quem você reporta? Tudo cai na questão da balança, prós e contras se enfrentando ininterruptamente dia após dia ainda sem saber qual tem o maior peso.
Por que será que todo mundo fica me olhando? Devem estar preocupados com a marca do meu relógio ou a do terno que eu visto (Isso mesmo. Estou usando terno!). Tenho vontade de colocar uma placa pendurada no pescoço dizendo: “Eu não pareço com você”.
É assustador como a realização material faz parte da vida dessas pessoas, elas só não sabem que isso é um ciclo vicioso onda a felicidade passa a ser momentânea e descartável.
Às vezes sinto vontade de conversar com o gênio que criou isso tudo. Que colocou a idéia fixa na cabeça das pessoas de quererem sempre mais, que criou o “status” para fortalecer essa idéia, e que deve estar rindo atrás de uma mesa de como ele consegue manipular a vida de tantas pessoas.
Para esses e outros problemas de cultura, visão e valores, eu visto não só o terno e a gravata, mas também uma blindagem. Com ela eu preservo meu mundo e deixo eles pensarem que eu pertenço ao mundo deles. Esse comportamento, apesar de me remeter ao Pink do The Wall me dá uma sensação – ilusória, eu sei – de conforto, mas e daí? Já são quase 18:00h e daqui a pouco eu posso ser eu.
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