E no momento que eu olhei para os seus olhos percebi que algo estava diferente. Eles costumavam a ter um brilho mais intenso, mais cativante. Eu via uma vontade de viver a vida, de desbravar o desconhecido, de se jogar sem pensar no amanha. E de certa maneira me sentia responsável por isso. Como é possível olhar para os mesmos olhos e enxergar coisas tão diferentes? Eu vi um mundo totalmente adverso, caminhos que pareciam traçados por uma comodidade leviana e padrões valorizados por alguns.
Foi nesse momento que me senti com duas asas nas costas, desprendido de qualquer sentimento ou vontade. Tive vontade de gritar, de sair pra rua, de atravessar a vida e dançar na chuva.
Se sentir ligado a outra pessoa por sentimentos é algo mágico, mas às vezes, mágico mesmo é sentir que essa ligação não existe mais.
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